O “fenômeno do impostor” reflete a crença de que as pessoas que nos rodeiam superestimam nossas habilidades. Ele foi criado por duas pesquisadoras norte-americanas na década de 1970 e ganhou status empírico de síndrome em anos recentes, virando “síndrome do impostor”.
Na versão contemporânea, o termo de uso restrito a certas esferas profissionais e sociais e desconhecido para a maioria é indicativo de um fenômeno muito mais amplo.
É uma tendência perigosa, alimentada por uma internet faminta de vitimização em escala, de criar patologias sintéticas, de prateleira, para, na sequência, despejar tratamentos, remédios, gurus e toda uma parafernália de soluções, deixando no caminho um rastro de inaptidão e de pessoas cada vez mais impotentes e sem recursos para tocar a vida.
Insistir em sua relevância é vestir a carapuça de uma culpa ilegítima. De um fardo injusto, imputado a quem se sente inadequado diante de algumas situações, por uma suposta incapacidade de enfrentar qualquer coisa em qualquer tempo.
“Sentir-se um impostor é uma sensação incômoda de não ser inteligente o bastante que acomete até mesmo os profissionais de maior destaque”, escreveu Kara Baskin, em artigo na MIT Management. “Muitos líderes em ascensão enfrentam o flagelo. Além do mais, ostentar a crença de que somos impostores nem sempre é ruim. Esse sentimento não dura para sempre”.
Lacunas de conhecimento ou hesitação diante do inusitado não são evidências incontestáveis de uma debilidade crônica, de um pecado original ou de uma patologia psíquica crônica. Na maioria das vezes, elas configuram uma reação quase óbvia à hostilidade implícita em incontáveis interações familiares, amorosas, sociais e profissionais.
Já ouvi gente craque no que faz, bem sucedida e séria, dizer que sofre de síndrome do impostor (a). Chamar esse desconforto, por vezes crônico, severo e traumático, de “síndrome” pressupõe a existência de uma condição que demanda cura, mas, para curá-la, é preciso um remédio. É debilitante buscar uma cura individual para um mal coletivo. E a posição hipotética de vítima de uma doença enfraquece o poder individual de sair do buraco.
No capítulo Estupor e Fraude, do livro O perigo de estar lúcida, a escritora espanhola Rosa Montero, faz uma espécie de tratado sobre como a sensação de ser uma fraude afeta escritores e escritoras, inclusive a ela mesma. Ela define a tal síndrome como “um fenômeno psicológico que, em todo caso, está relacionado com o perfeccionismo, recorrente entre escritores porque se conecta com o eu carente de osso, que nós, escritores, temos”. Ela continua dando exemplo de escritores como o francês Emmanuel Carrère, que em seu livro Ioga, diz “Nos dias menos bons, me sinto um impostor”. Faz sentido, mas definitivamente, não é um fenômeno isolado. E portanto, é difícil de rotular.
Sustentar um espanto latente diante do esvaziamento de sentido ou hostilidade de certos encontros pode nos poupar de seus efeitos nocivos. E quem sabe assim deixar nossa mente mais livre e leve para apreciar as belezas do mundo.
Sentir-se um impostor em determinadas situações é normal. Sentir-se constantemente um impostor, ou impostora, é sinal de que algo está errado no ambiente, no entorno, nas pessoas ou nas regras que regem esse entorno. E para isso não tem remédio de prateleira ou diagnóstico floreado que ajude.
No artigo do MIT, Baskin cita também que personagens célebres como Howard Schultz (ex-CEO da rede varejista de café Starbucks), Sheryl Sandberg (executiva de tecnologia e fundadora da Leanin.Org) e Maya Angelou (escritora, poeta e ativista pelos direitos da comunidade negra), admitiram já ter sentido que suas habilidades foram superestimadas. E que décadas antes de esses pensamentos terem um nome, Albert Einstein escreveu a um amigo: “A estima exagerada que as pessoas têm pelo meu trabalho me deixa muito desconfortável. Me sinto um trapaceiro involuntário”.
Até tu, Einstein?
Falemos sobre peixes fora d’água. Afinal, quem nunca se sentiu um deles.
A figura de linguagem “me sinto um peixe fora d’água” é gostosa demais de usar. Ela transmite com clareza e certa dose de humor uma sensação de inadequação difícil de explicar. Despida do viés metafórico, no entanto, é o prelúdio de uma catástrofe. Peixinhos fora d’água morrem. Alguns, em até 90 segundos. Outros, suportam algumas horas na secura antes de colapsar. Tem os que morrem sufocados se não encontram a superfície para respirar. E tem ainda os sortudos que vivem bem tanto dentro quanto fora da água.
E nós, humanos, quanto tempo suportamos a vida “fora d’água”?
Brincadeiras à parte, desde que submetidos a condições ideais de temperatura e pressão, livres de guerras, ataques desmesurados da aba truculenta da polícia e riscos potencialmente desencadeadores de crises de pânico, colapsos cardíacos, fome, sede, ferimentos ou, até mesmo, a morte, seres humanos não sucumbem facilmente quando submetidos a ambientes e situações não controladas, desconhecidas. Somos seres resistentes e resilientes por natureza.
Mas, então, que desconhecido é esse que, apesar de não matar, pode provocar tanto mal-estar? Mal-estar que se manifesta de formas variadas, desde uma vontade louca de desaparecer, ficar invisível, evaporar, hibernar até a primavera, até sintomas físicos como taquicardia, “branco” e falta de ar.
E não se trata de um “desconhecido” apenas, mas de vários. Por exemplo, os primeiros dias no novo emprego; os primeiros encontros com a nova equipe; as horas em sala de aula em busca do diploma para exercer uma nova profissão na companhia de estudantes muito mais jovens; uma apresentação em público; os primeiros dias de maternidade; o palco no dia de estreia da peça de teatro; o primeiro show da turnê; uma conversa difícil com o filho adolescente ou com os médicos da mãe; a verbalização de um desejo, de uma vontade, de uma escolha; a participação num evento ou grupo de WhatsApp de colégio na companhia de pais e mães com crenças de mundo ou situação econômica e social totalmente díspares; a reunião semanal com um chefe insolente.
O desconhecido pode ser também uma situação corriqueira, como a reunião com a chefe amiga, num dia de cão, quando o mundo parece virado de cabeça para baixo, e tudo o que a gente quer é se largar na cama, comer tranqueiras e assistir a uma série B no streaming.
Mas todo mundo sente isso?
Em menor ou maior grau, sim. Há exceções. Sempre. Os coroados, os predestinados, os inabaláveis. Seres que atingiram o nirvana e se sentem confortáveis em qualquer situação e espaço, mesmo os mais inusitados. Talvez tenham aprendido técnicas de domínio do medo, ou, quem sabe, disfarcem bem. Podem ser desprovidos de empatia (aqui os espertos da mente e do crime podem inferir sobre a classe de sociopatia em questão). Quem sabe alguém altamente espiritualizado. Ou aqueles que preferem evitar o desconhecido a todo custo. E, por último na nossa sondagem, os integrantes de uma minoria fruidora da devoção incondicional de seus súditos: Sim, senhor. Pois não, senhor. Está tudo do seu agrado, senhor?
Para o resto de nós, mortais, entender de onde vem a sensação de inadequação e como lidar com ela pode ser uma jornada interminável, porém muito, muito revigorante.
Saber que a maioria de nós passa por isso, em menor ou maior grau, é um alívio, mas não basta. É preciso investigar as origens do mal-estar e possíveis antídotos para neutralizar seus efeitos. Mesmo que um pouquinho por vez.
Em primeiro lugar, é importante tentar entender de onde a sensação vem. Há fatores individuais, do sujeito, que a psicanálise e a psicologia podem ajudar a trazer à tona. Por exemplo, uma infância e juventude vividas sob a tutela de uma família conservadora, hierárquica, rigorosa, de pouco diálogo. A exposição a esse tipo de ambiente pode levar um indivíduo a replicar, em situações profissionais, amorosas ou sociais, o mesmo padrão de comportamento e posição exigido dele em casa. “Eu não concordo com a forma como esse tema foi tratado, mas quem manda aqui é meu chefe. Eu só obedeço. Meu ponto de vista não interessa.” Pronto, o senso de inadequação está posto.
Há, no entanto, pessoas nascidas e criadas em ambientes igualmente herméticos e conservadores que rompem com o padrão desde cedo. Elas buscam em suas interações sociais, amorosas e profissionais um modelo de relação totalmente distinto daquele vivido na família.
O que determina se uma pessoa é do tipo que obedece ou enfrenta? Muitos fatores. Milhares. Dá pra resolver? Talvez sim. O importante é que, sabendo disso, dá para, pelo menos, tentar contornar e sofrer menos.
Usei esse exemplo para ilustrar como é difícil, na verdade impossível, enquadrar todo mundo num mesmo padrão de experiência de “desconforto”, de “não caber”.
Quem sofre menos na fila do pão? Ou na cara do gol?
Além de questões familiares, há aspectos sociais mais críticos. Por exemplo, vivemos numa democracia no Brasil, certo? Jovem, atacada, mastigada, porém democracia. Num estado democrático, os cidadãos têm o direito de se expressar, desde que, é claro, não ofendam, não mintam, não desrespeitem o outro, ou os outros. Temos que, ou pelo menos deveríamos, respeitar as liberdades individuais, os direitos adquiridos, os direitos constitucionais, independentemente de status social, poder aquisitivo etc.
Há, no entanto, grupos que tiveram e têm, historicamente, mais espaço para se expressar. Consequentemente, há mais modelos desses grupos por aí. E esses grupos geralmente são homogêneos. Por grupos homogêneos entende-se, também, aqueles que para se manter no poder não permitem a participação de pares “diferentes”.
Um exemplo claro: o futebol. As mulheres jogam futebol, e bem, há séculos. No entanto, o futebol masculino tem muito mais espaço nos clubes, nas transmissões, na planilha de investimento dos patrocinadores. Ou seja, para se sentirem inseridas, e não “inadequadas” em campo, as meninas e mulheres precisam de estratégias muito mais sofisticadas e protetoras do que os meninos e homens, que já conquistaram esse espaço.
Em seu livro Nós, Mulheres, nossa amiga Rosa Montero escreve que “em todas as épocas houve mulheres fazendo coisas memoráveis: dirigindo impérios, criando tábuas de cálculo, descobrindo os segredos do universo, escrevendo a primeira literatura de autor que já se escreveu, liderando exércitos”. No mesmo livro, a autora propõe um trabalho de recuperação quase arqueológica das mulheres esquecidas, “porque precisamos de modelos reais, precisamos saber que a vida não era nem é como a contaram para nós”. Montero, um ícone da literatura espanhola contemporânea, não é ingênua. Ela sabe que “a mudança no papel da mulher pressupõe uma mudança no papel do homem, de modo que estamos falando de um novo tipo de sociedade, de uma nova forma de viver”.
Mudanças como essa deixariam, ou deixarão (sou otimista), as situações e os ambientes menos hostis para aqueles que hoje são classificados como “minorias” pouco representadas.
Ver e ler sobre a conquista de espaço por pessoas que se parecem fisicamente conosco, que compartilham histórias semelhantes, desafios, oportunidades, faz a gente se sentir mais confortável e menos “inadequado”.
Uma criança negra na sala de aula, por exemplo, que olhe para a posição do mestre e não veja ali alguém com traços e história parecidos com os seus não tem como se projetar nessa posição num futuro próximo. Ela vai, naturalmente, se sentir mais deslocada que os colegas.
Como nasceu o termo “fenômeno de impostor” (impostor phenomenon)?
Pauline Clance, psicóloga norte-americana criada numa família religiosa de origem humilde, conviveu durante anos com dúvidas terríveis sobre suas habilidades escolares: “Mãe, eu sei que fui mal na prova”. Mesmo depois de sucessivos boletins com notaços, de ser reconhecida em sua comunidade como uma jovem ambiciosa e conquistar um doutorado em psicologia, seu sentimento de não pertencimento a espaços acadêmicos duramente conquistados persistia.
No início da década de 70, já professora em uma universidade, Clance percebeu que não era a única a nutrir uma baixíssima autoestima no exercício de sua profissão. Segundo ela, em entrevista para a The New Yorker, no texto “Why Everyone Feels Like They’re Faking It” (Por que todo mundo sente como se estivesse sempre fingindo?), de autoria de Leslie Jamison, muitas de suas alunas tinham a certeza de que sua admissão na faculdade acontecera devido a um erro nas notas ou que haviam convencido as autoridades a acreditar que eram capazes, usando charme ou lábia.
Clance começou, então, a comparar suas anotações sobre o fenômeno com as de sua colega Suzanne Imes. Ela percebeu que ambas compartilhavam do mesmo sentimento de “fraude”. Imes tinha uma característica peculiar em seu histórico familiar. Filha mais jovem, era constantemente comparada à irmã mais velha e mais “esperta” que ela. E, assim como Pauline, subestimava as notas das suas provas.
Juntas, elas decidiram investigar de onde vinha esse sentimento desajeitado. Entrevistaram mais de 150 mulheres ao longo de cinco anos e registraram suas descobertas no artigo “O fenômeno de impostora em mulheres de alto desempenho: dinâmica e intervenção terapêutica” (The Impostor Phenomenon in High Achieving Women: Dynamics and Therapeutic Intervention).
De acordo com o texto, “as mulheres entrevistadas eram particularmente propensas a ‘uma sensação latente de falsidade intelectual’, vivendo um medo perpétuo de que ‘alguma pessoa importante descobrisse que elas são de fato impostoras intelectuais’”.
Foi esse processo de descoberta de seus próprios sentimentos somados aos sentimentos das entrevistadas, que ajudou a dupla Clance e Imes a formular o conceito.
O artigo foi sucessivamente rejeitado e eventualmente publicado em 1978 no periódico Psychotherapy: Theory, Research, and Practice, e se espalhou rapidamente como um “zine”. Em 1985, Clance publicou um livro com o título O Fenômeno da Impostora (The Impostor Phenomenon) e lançou uma escala IP para que pesquisadores pudessem usar os achados de seu estudo em suas investigações.
Segundo o artigo da The New Yorker, hoje, quase cinco décadas depois da formulação, o conceito atingiu um nível de saturação jamais imaginado por suas criadoras. Inspirando desde livros de autoajuda até hashtags de empoderamento feminino.
“A expressão ‘síndrome do impostor’ desperta um forte senso de identificação, especialmente entre mulheres da geração Y e da geração X. Quando fiz um chamado no Twitter para experiências com a síndrome do impostor, fui inundada de respostas”, escreveu Leslie Jamison em seu texto na The New Yorker.
Aliás, Clance e Imes argumentaram em seu estudo original que atingir o sucesso não era uma cura. Na visão das autoras, o sentimento não poupa ninguém, todos estamos suscetíveis, independentemente de raça, credo, gênero, nacionalidade, poder aquisitivo ou nível de sucesso profissional.
No artigo original, as pesquisadoras identificaram dois padrões de comportamento familiares distintos que deram origem a sentimentos de impostor: ou as mulheres tinham um irmão identificado como “o inteligente” ou elas próprias haviam sido aclamadas como “superiores em todos os aspectos — intelecto, personalidade, aparência, talento” pelo pai, pela mãe ou por ambos.
A dupla teorizou que as mulheres do primeiro grupo são “impelidas a buscar a validação que não receberam em casa, mas acabam duvidando de qualquer validação que recebam posteriormente. As do segundo grupo encontram uma desconexão entre a fé irreal dos pais em suas capacidades e a experiência de falibilidade que a vida inevitavelmente traz. Para ambos os tipos de ‘impostoras’, a crise nasce do abismo entre as mensagens recebidas dos pais e os sinais recebidos do mundo”.
Elas descrevem também o ciclo que os sentimentos de impostor costumam produzir — uma sensação de fracasso iminente que inspira trabalho árduo frenético e uma gratificação efêmera quando o fracasso é evitado, rapidamente seguida pelo retorno da antiga convicção de que o fracasso é inevitável.
“Algumas mulheres adotam uma espécie de pensamento mágico sobre seu pessimismo: acreditam que o sucesso as condenaria ao fracasso, portanto o fracasso deve ser antecipado. O caso típico esconde suas próprias opiniões, temendo que sejam vistas como estúpidas. Ela pode buscar a aprovação de um mentor, mas depois acreditar que a obteve apenas por usar seu charme; ela pode se odiar por precisar dessa validação, tomando a própria necessidade de obtê-la como prova de sua falsidade intelectual.”
E como esse tal fenômeno é percebido hoje?
Uma das críticas que as autoras recebem a respeito do estudo publicado há cinquenta anos, é o fato de a amostragem se limitar a mulheres brancas. Nesse mesmo artigo da The New Yorker, algumas mulheres negras dizem não se reconhecer nele. Segundo elas, episódios de discriminação e abuso de privilégios no trabalho, por exemplo, são erroneamente mascarados de “síndrome do impostor”. Ou seja, além de serem vítimas de racismo, as mulheres recebem a culpa por não agirem de forma gloriosa no ambiente de trabalho.
Nas duas situações, escreve Leslie Jamison, tanto as mulheres entrevistadas por Clance e Imes como as entrevistadas para o seu artigo na The New Yorker confirmam que ouvir que não são impostoras, mas suficientemente boas, e que o problema é o sistema que falha com elas proporciona um enorme alívio.
No próximo texto, falaremos sobre profilaxias (é gostoso enfiar um termo médico no debate, já que falamos de uma “síndrome”), ou seja, medidas contentoras, adotadas por Clance e Imes, para ajudar as mulheres no entendimento do valor de suas trajetórias. E sobre um artigo publicado em 2021 na Harvard Business Review, com o título “Parem de dizer para as mulheres que elas têm síndrome da impostora” (“Stop Telling Women They have Impostor Syndrome”), escrito por Ruchika Tulshyan e Jodi-Ann Burey.
Na essência, Tulshyan e Burey afirmam em seu artigo que o conceito que se propõe a encapsular o sentimento de inadequação é datado, especialmente a versão “metamorfoseada”, de fenômeno em síndrome do impostor. E que da forma como foi escrito, e digerido, sugere que as mulheres sofrem de uma crise de autoconfiança crônica. O que está longe de ser verdade. Afirmam também que a abordagem atual que tomou conta das redes, e foi disseminada amplamente em treinamentos internos de grandes corporações, também falha em reconhecer os obstáculos reais que as mulheres enfrentam para exercer suas profissões e as demandas da vida pessoal, especialmente as mulheres de cor.
Clance e Imes, as autoras, não discordam que o estudo seja datado. Segundo elas, a intenção na época não foi buscar uma solução para as desigualdades no ambiente profissional, mas entender o impacto das dinâmicas familiares e da socialização entre os gêneros no desenvolvimento do sentimento de inadequação.
Lembrando que, além do debate sobre um termo que pode ser considerado um anglicismo, estamos no Brasil, e não na “América”. E, portanto, cautela e caldo de galinha são sempre bons antes de incorporar o que vem lá de cima, sem mastigar e tropicalizar antes.
Ao final, se todos sofremos de alguma forma de sentimento de inadequação, de fraude, ou ninguém sofre, ou estamos falando de um sintoma muito mais abrangente e sistêmico, que não pode ser resumido a duas palavras pesadas.
Referências:
- New research debunks 4 myths about ‘impostor syndrome, Publicado no MIT Management, em 13 de janeiro de 2025. Escrito por Kara Baskin.
- Why everyone feels like they’re faking it. Publicado na revista The New Yorker, em 6 de fevereiro de 2023. Escrito por Leslie Jamison.
- Stop Telling Women they have Impostor Syndrome. Publicado na Harvard Business Review, em 11 de fevereiro de 2021. Escrito por Ruchika Tulshyan e Jodi-Ann Burey.
- Feminismo negro centrado na experiência de mulheres negras. Escrito em 28 de outubro de 2024 por Letícia Rocha.