A interação entre designers, artistas plásticos, estilistas, internautas e público pode parecer um conceito abstrato à primeira vista. Mas a empresária Fernanda Cerávolo transformou a ideia num modelo de negócio que movimenta 20 colaboradores e uma cadeia de 40 fornecedores de matérias-primas e serviços.
Lançada há dois meses, a grife Bangoo tem corno mote reunir ideias captadas no ambiente virtual — ligadas ao universo da moda, artes, acessórios para casa, “toy arts” — e comercializá-las exclusivamente no site da empresa.
O objetivo da marca, de acordo com a empresária, é fechar o ano com uma rede de 100 colaboradores. Em 2008, quer triplicar esse número. Esses colaboradores submetem suas ideias a uma espécie de conselho da Bangoo e, se aprovada, a empresa se encarrega de produzir e comercializar o produto. Pode ser desde uma estampa até acessórios coma bolsas e carteiras.
Produtos da Bangoo na revista Pix, nos anos de 2007 e 2008:
Em alguns meses, a marca deve criar um blog para que as sugestões também passem pelo crivo dos internautas. “A remuneração para o criador pode ser por meio de royalties ou baseada no volume de venda do produto”, disse. Esses produtos podem ou não ficar sob a grife Bangoo.
As marcas independentes podem negociar a venda de seus produtos numa espécie de “corner” virtual. A primeira coleção da Bangoo foi lançada em meados de abril e contou com poucos colaboradores externos. Reuniu camisetas, tênis, conjunto de copos, carteiras e o Bangolino, um indescritível boneco de plush branco na linha dos “toy-arts”, nova mania entre colecionadores.
Alguns livros também foram colocados à venda. Na próxima leva de produtos, será incluída a obra “New photography in China”, que reúne fotografias de jovens fotógrafos chineses. 0 livro não será editado no Brasil e foi encontrado pela equipe da Bangoo entre as pesquisas da equipe pela internet. “A busca por ideias não vai se restringir ao Brasil”, disse Fernanda.
Por trás de todo o processo criativo, a Bangoo teve que criar uma infraestrutura de pagamento eletrônico, entrega de produtos, gerenciamento de estoque e de marketing.
Fernanda levou dois anos para conceber o projeto, criar o site e fazer a primeira linha de produtos. A experiência no desenvolvimento de sites de compras de grandes lojas e companhias de eletroeletrônicos ajudou a empresária a arregimentar o negócio. Fernanda se ressente, porém, da falta de financiamentos.
Teve que investir cerca de RS 250 mil do próprio bolso na ideia, que ela acredita que vai alcançar o “break even” no ano que vem. O desafio agora é: fazer a marca ficar famosa e gerar um fluxo de vendas.
Fonte: Texto publicado originalmente no Caderno EU&Carreira do Jornal Valor em 27 de junho de 2007.
Grife de Ideias

Do encontro entre diferentes áreas do conhecimento, surgiu um novo caminho profissional na vida de Fernanda Cerávolo. Formada em economia, ela começou a carreira não em um escritório, mas em uma redação, como jornalista no veículo Canal Financeiro (Bloomberg) e, em seguida, no Portal Terra. Paralelamente aos textos que escrevia, começou a dedicar-se a outra paixão, o design gráfico, que gerava o embrião do que viria a ser a Bangoo, em sua própria definição, uma grife de ideias.
Sempre afeita a linguagem multimídia e produção de conteúdo, Fernanda idealizou em 2004, a Vinil, que desenvolve conteúdo digital para sites, e o Instituto de Mídia e Artes (IMEA), responsável por elaborar projetos culturais. Em meio a todo esse trabalho, foram criadas as condições ideais para o nascimento da grife Bangoo, visando um público jovem e antenado no que rola na internet, em especial, os que têm vocação para a criação artística. “Queremos falar com um público apaixonado por design, artes, fotografia, moda etc”, conta Fernanda.
A cultura Pop do início do século 21
A revista Simples (não confunda com Revista Vida Simples), foi fundada por Ale Farjone (RIP), no início dos anos 2000. Segundo seus criadores, tratava-se de um espaço aberto a pessoas com ideias originais e atitudes construtivas.

Publicada em dezembro de 2007.










